domingo, 14 de novembro de 2010

Time After Time na voz de Frank Sinatra

Parece que bons ventos chegaram. Mas só parece.

O início de Time After Time marca algo novo, uma janela abrindo os raios de sol que invadem uma nova fase espiritual. Bom, pelo menos é isso que eu quero.
Então é isso. Sem muitas delongas, venho encerrar a atividade deste blog.
Letras Corridas foi um espaço importante. Há muitas coisas aqui das quais me orgulho. Bons textos, confissões, lembranças engraçadas de quando ficava horas sentada em frente a este monitor tentando escrever algo legal. Às vezes as postagens não saíam como eu queria, não eram salvas. Acho até que perdi um texto, enfim...
Eu inicio agora uma outra fase de escrita. Resolvi guardar minhas impressões em uma agenda com capa que lembra couro. Tem um elástico em volta com uma borboleta pendurada. Essa eu que coloquei pra dar um charminho e não ficar tão formal.
São vários tons de marrom. É uma graça e diferente, já que não é minha cor preferida. E quem disse que sua cor preferida deve estar em tudo? Nem sempre. É bom variar. Acho até que combina mais, inclusive.


Obrigada aos leitores, aos comentários e a esses dois anos (dois anos? se for, é muita coisa) de aventuras em letrinhas corridas pra tentar deixar marcado alguma coisa sobre mim, sobre o que penso.

Até a próxima!


Bruna Vargas Duarte

sábado, 22 de maio de 2010

Adeus...

Sábado, 08/05/10

Eu me entrego ao tempo. Deixo ir o que tiver de ir e o que tiver de vir ou até mesmo voltar.
Não tenho controle algum sobre as loucas linhas traçadas que o destino fez e vai continuar fazendo cair em meus pés.
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Sábado, 22/05/10

Jogo tudo para o alto e não faço questão de pegar quando cair.
Jogo minha vontade, meus dias, minha alegria, meu sorriso e minha calma que já não tenho mais. Jogo e quero mesmo é que... vão embora, porque agora não quero mais alcançar.
Deixo ficar a minha inveja, o meu triste retrato em branco e preto, a minha doce-amarga solidão, a minha infinita agonia, as minhas aliviantes lágrimas e, claro, os meus velhos companheiros de sempre, os MEUS calafrios.
Me mostro de frente, me mostro de verdade, triste. Vazia e cansada de procurar ou esperar por algo que me aquiete o espírito.
Por fora o desleixo e o nada (símbolo de infinito) -2, -1, 0.
Sentada numa cadeira me vejo quase apática. E os outros? Todos lá
... e eu aqui.

Jogo minhas letras.
Uma hora eu volto, quem sabe, para desembaralhá-las. Até que eu as corra formando uma palavra, uma frase, uma oração ou um texto.
Outro dia eu volto para reconstruí-las, colocá-las no lugar e achar um bom contexto para continuar.
Adeus.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eu quero!

eu quero poder escrever assim, sem me preocupar com a estética e com os erros de concordância. eu quero parar de ouvir as buzinas dos carros lá embaixo. eu quero ter uma casa como um dia eu já tive. eu quero plantar uma horta. eu quero plantar um pomar. eu quero ter um cachorro correndo pelo jardim. eu quero ver meus filhos correndo na grama enquanto o regador a molha. eu quero que meu companheiro, marido ou seja lá o que for compartilhe esse momento de contemplação comigo. eu quero, melhor dizendo, participar da bagunça. eu quero plantar muitas árvores. eu quero ver a mesa posta para o café, almoço, lanche e jantar. eu quero sentir o cheirinho de café que me faz lembrar a casa da minha avó. eu quero sentir o tempero forte do Maranhão. eu quero sentir o cheiro de sundown com maresia. eu quero puxar um rapaz pra dançar comigo pela gravata. eu quero morrer pra poder ir a um show do Cazuza. eu quero voltar depois. eu quero poder dizer "eu te amo" com muita paixão. eu quero beijar com loucura, com amor, com ternura e com tesão. eu quero ter um sorriso bonito. eu quero agradecer ao dentista depois. eu quero espalhar carinho. eu quero me apaixonar cada vez mais. eu quero me lembrar das coisas doces do passado. eu quero ver uma coisa legal. eu quero entrar mais em contato com a natureza. eu quero cantar como um pássaro. eu quero dançar juntinho no meio da rua. eu quero voltar a beber o vento que vem da janela do carro como eu fazia quando meu pai andava em alta velocidade na BR. eu quero dar um tapa bem forte na cara dele. eu quero tascar-lhe um beijo logo depois. eu quero sentir intensamente o poder do agora. eu quero rir mais com a minha mãe. eu quero ouvir mais histórias de infância do meu pai. eu quero me despir do pesar. eu quero olhar as estrelas deitada na grama. eu quero cantar "Céu de Santo Amaro" enquanto as contemplo. eu quero admirar a lua. eu quero continuar fazendo a mesma pergunta quando a vejo. eu quero amar alguém diante do clarão que ela faz. eu quero mergulhar numa história sem medo. eu quero voltar à superfície pra contar. eu quero viver a situação "Singin' in the Rain". eu quero ficar presa no supermercado. eu quero ir à padaria logo que ela abrir. eu quero comer pães quentinhos. eu quero voltar no tempo e viver loucamente os anos 60 e 70. eu quero voltar no tempo e conversar informalmente com o Michael Jackson. eu quero fazer brigadeiro com o namorado. eu quero fazer uma zona na cozinha. eu quero lambuzar a cara dele de sorvete. eu quero lamber tudinho depois. eu quero viajar de carro sozinha sem ter data pra voltar. eu quero me esquecer do tempo. eu quero tirar leite da vaca. eu quero correr pelo campo. eu quero deixar que o vento penteie meus cabelos. eu quero assistir ao pôr-do-sol descalça. eu quero sempre estampar um belo sorriso. eu quero levar só o que for bom. eu quero arrancar a raiva. eu quero levar as minhas mágoas pras águas fundas do mar. eu quero chorar. eu quero andar pelas ruas vazias. eu quero andar de bicicleta num lugar todo florido e arborizado. eu quero ser conquistada por um único olhar. eu quero ver um show dos Los Hermanos. eu quero voltar a ser mais risonha. eu quero continuar querendo um bando de coisas. eu quero viver de qualquer maneira. eu quero!


"Nada tenho
vez em quando tudo
Tudo quero
mais ou menos quanto
Vida, vida
noves fora zero
Quero viver, quero ouvir
Quero ver."

sexta-feira, 12 de março de 2010

Tus Pies - Pablo Neruda

Ouvi Maria Rita recitando e me apaixonei!

Tus Pies

Cuando no puedo mirar tu cara,
miro tus pies.

Tus pies de hueso arqueado,
tus pequeños pies duros.

Yo sé que te sostienen
y que tu dulce peso sobre ellos se levanta.

Tu cintura y tus pechos,
la duplicada púrpura de tus pezones.
la caja de tus ojos que recién han volado.
Tu ancha boca de fruta,
tu cabellera roja, pequeña torre mía.

Pero no amo tus pies
sino porque anduvieron sobre la tierra
y sobre el viento
y sobre el agua,
hasta que me econtraron.
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Teus pés

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada púrpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Quanto jejum!

Lembram-se daquela frase "é hora de dar tchau" dos Teletubies? Pois bem, agora digo: É hora de voltar!
Tenho o costume de publicar aqui os meus textos acadêmicos. Seguirá então um que fiz sobre Chico Mendes. Segundo as regras do professor um dos requisitos para a realização deste trabalho era dar a sua opinião sobre. Eu já havia postado "Do mudo ao falado", texto com a mesma exigência e que, na minha humilde opinião, ficou bem melhor que esse. Não que eu esteja desmerecendo-o, mas me identifico muito mais com o outro. Talvez por eu ter tido um tempo maior para fazê-lo. Enfim, é só para quebrar este jejum e marcar a minha volta.



Chico Mendes




Francisco Alves Mendes Filho, Chico Mendes, foi um seringueiro, sindicalista e ativista ambiental. Nascido em Xapuri, no estado do Acre, começou o aprendizado do ofício de seringueiro ainda criança com o pai.
A vida de líder sindical se iniciou com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, em 1975, ao ser escolhido para o cargo de secretário geral.
Um dos grandes feitos de Chico Mendes encontra-se na proposta “União dos Povos da Floresta” que buscou unir o interesse dos trabalhadores da região através da criação de reservas extrativistas que, mais tarde, gerariam a reforma agrária tão sonhada pelos seringueiros.
Sua luta pela preservação da Floresta Amazônica teve uma grande repercussão internacional, o que lhe rendeu um de seus vários prêmios, o Global 500, oferecido pela ONU em defesa do Meio Ambiente. Chico continuou sua luta com perseverança, percorreu ainda o Brasil para participar de seminários, congressos e palestras que denunciavam as atrocidades dos fazendeiros contra a floresta e os trabalhadores da região.
O que antes começou com uma luta pela posse de terra contra os grandes proprietários em busca da proteção das seringueiras e de quem vive dos meios que a floresta tem a oferecer, se tornou uma grande guerra que atingiria fatalmente o maior líder nesse campo de batalha.
Chico Mendes, antes de tudo, foi um cidadão voltado para a justiça social. E que, com bravura, mostrou ao mundo suas ideias para defender o fim do desmatamento da Amazônia e buscar soluções para o extrativismo e a produção auto-sustentável para as famílias da região.
Morte é uma palavra que não cabe a um homem visionário que se atentou para questões que até então não possuíam a menor relevância, mas que alguns anos depois mobilizariam o mundo numa corrida a favor da preservação do Meio Ambiente.
Nós somos o seu legado. Chico Mendes vive em cada ação protetora ao maior bem que a humanidade possui: a Natureza.


“No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebi que estava lutando pela humanidade.” Chico Mendes

sábado, 26 de dezembro de 2009

E foi!

01 de janeiro de 2009 - Com um sorriso estampado no rosto e uma flor amarela na mão eu desejei que tudo viesse de forma fácil esse ano. As ondas levaram o meu desejo e assim se concretizou 2009.

De vários acontecimentos, três são relevantes:

1º - Não importa quanto tempo demore para que uma história aconteça. Se ela for realmente sua se realizará. Afinal, o que tiver de ser, será.

2º - Na maioria das vezes nós nos enganamos em relação às intenções dos outros. Procure verificar se elas equivalem as suas. As aparências enganam, e como enganam.

3º - O destino é fantástico. Os encontros marcados por ele nas ruas da vida são impressionantes. Às vezes querem dizer algo, mas muitas vezes não querem dizer nada.
"A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida."

Fazendo um balanço geral:

Entrei na faculdade; conquistei grandes amizades; participei de uma empreitada acadêmica; aprendi bastante; tive contato com professores maravilhosos; tive contato com professores horríveis; me encantei com o Gabriel; quis matar o Marcus; sobrevivi a Valderez e concluí com êxito o primeiro ano na FACHA: lugar onde exatamente deveria e queria estar.

Vi pessoas espetaculares partirem; sofri devido a uma poção de ilusão; quase enlouqueci de saudade; conheci mais a fundo uma grande personalidade; fiz uma entrevista importante; vi uma das profissões mais bonitas ser desvalorizada; estudei durante horas sem parar; fiquei reclusa na maior parte do tempo; fui ao show de uma das minhas cantoras favoritas; me emocionei; passei um bom tempo com a minha mãe; recebi quatro gestos sublimes de três pessoas diferentes; experimentei novas sensações e me encontro agora num lugar sagrado buscando a tranquilidade que mereço: "gonna set my heart at ease.".

Em 2010 eu quero paz, eu quero mais!

E 2009, é... 2009 foi um ano ímpar. (carinha com a linguinha para fora)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Vai, vamos lá!

Há 8 anos atrás eu fiz um rap com minhas amigas Larissa, Rebeca e Ingrid. Era um trabalho de Português guiado por uma das melhores professoras que eu já tive: Márcia Cristina.
Os grupos deveriam desenvolver uma música abordando a importância da preservação da água.
No dia da apresentação nos vestimos de jeans, blusas coloridas, colocamos óculos e bonés. Foi um show de conscientização com direito a passos de coreografia!

Esse tema proposto em 2001 continua tendo uma grande repercussão e eu não poderia deixar de colocá-lo aqui.

Segue então, o rap da água:

Vai, vamos lá
Vamos economizar
Preste atenção
No que eu vou te ensinar

Ligue a torneira só quando precisar
Desligue o chuveiro quando se ensaboar
Na hora de comer aproveite os alimentos
Pois tem gente passando fome em todos os momentos

Então, galera, é isso
Que temos a dizer
Nunca desperdice
É o que temos a fazer!

Uma gracinha, não?!
É bem interessante passar uma "mensagem antiga" com uma roupagem completamente atual. E é mais legal ainda saber que a consciência dessas garotinhas não mudou!

sábado, 31 de outubro de 2009

Um beijo não é só um beijo

Há muito tempo, mas há muito tempo mesmo, venho pensando em escrever algo sobre "Um beijo não é só um beijo". Título criado por mim desde que recebi um beijo que era apenas um entre tantos outros.

Pensei em várias formas de escrever o que eu estava sentindo, mas não conseguia de jeito nenhum. Então resolvi deixar anotado em um caderninho para que um dia eu pudesse voltar a pensar no assunto. Aliás, meus textos são organizados assim: palavras-chave ou títulos ficam anotados em uma agenda. Quando estou disposta a escrever sobre um desses assuntos que me vieram à mente, escolho um e começo a correr as letras.

Dessa vez aconteceu algo diferente do meu "ritual".

Nessa quarta-feira, indo para a faculdade, tive aquela super lâmpada acesa em cima da cabeça em meio a sono, cansaço e um pouco de desconforto causado pela lotação do ônibus. Meio tonta porque estava tentando dormir, lutei contra as pálpebras que teimavam em fechar e peguei o único objeto que estava acessível, já que sobre a minha mochila estavam bolsas que me ofereci para segurar.

Foi através do celular que saí apertando botão por botão até formar uma poesia. Sim, uma p-o-e-s-i-a. Meus sentimentos guardados simplesmente desabrocharam em leves versos.

Segue então, o alívio escrito:

Um beijo não é só um beijo

Eu já beijei uma boca de melancia
e outra de maracujá,
mas não beijei ainda
aquele que água na boca dá

Dispenso o que é pouco profundo
E onde espaço para sentimento não há
Critico a superficialidade
que existe num banal ato de ficar

Eu quero um beijo apaixonado
Aquele que falta o ar
Que como nos clássicos de cinema,
vira a cabeça e te faz ofegar

Um beijo não é só um beijo
Envolve outras coisas mais
Porém, para algumas pessoas
Ele se torna mais um
Entre muitos "tanto faz".

Uma observação para aqueles que talvez não entenderam o que eu quis dizer: nem sempre o ato de ficar é superficial. Essa poesia é voltada a um caso específico e pessoal. E além do mais há quem goste de sair por aí sem compromisso. (Cá entre nós, quem já não fez isso?) Nada contra, mas eu como uma romântica irremediável confesso: acho que tudo ficaria bem melhor com um pouquinho de sentimento, respeito e tato. O que existe num ato banal de ficar é um abismo entre duas pessoas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Panis et Circenses

"Mandei fazer
De puro aço
Luminoso punhal
Para matar o meu amor
E matei
Às cinco horas na Avenida Central."



Sonho e Desejo


Atravessei,
na barriga tua
dois deles.
Como Kitana, sem dó
nem piedade.

E calei tua respiração
Sentindo raiva, mas não remorso

Arranquei de mim, o que era encravado teu
E sobre a fria pedra de mármore te deixei

Queria poder matar o outro também
Que pelo mesmo nome se chama
E igual gosto pelo postre se tem.

sábado, 24 de outubro de 2009

Escrita de fé

É a partir dessa paráfrase de "Profissão de Fé" que venho quebrar este jejum prolongado por mais de um mês.
O ato de escrever, como diz o poeta Olavo Bilac, requer perícia. É preciso escolher cada palavra minuciosamente para que o texto seja bom. É necessário ter paciência e vontade. Só assim posso fazer com que vocês entendam o teor da mensagem que quero passar.
O texto a seguir sofreu três grandes alterações. Somente na última, seguindo a proposta central do Parnasianismo, pude alcançar a "perfeição" que eu queria.
Espero que gostem.



Do mudo ao falado

Singin’ in The Rain (Cantando na Chuva) é um filme estadunidense do ano de 1952 produzido por Arthur Freed com direção de Gene Kelly e Stanley Donen.
O musical estrelado por Gene Kelly, Jean Hagen, Debbie Reynolds e Donald O’Connor mostra, de forma descontraída e bem humorada, a transição do cinema mudo para o cinema falado.
No filme, Don Lockood (Gene Kelly) e Lina Lamont (Jean Hagen), o casal mais famoso do cinema mudo, é obrigado a se adequar aos novos padrões da indústria cinematográfica. Até então o cinema era resumido a representações mudas com algumas legendas e som musical ao fundo.
A adequação a essa nova tendência foi proposta em “O Cavaleiro Duelante”, filme rodado com as novas exigências do mercado, mas que foi um fracasso devido à péssima dicção de Lina, o som fora de sincronia com as imagens e as falas em escalas altas e baixas que causaram insatisfação entre os telespectadores.
Nessa parte, segue uma das sequências mais engraçadas das filmagens. Mostrando o quão foi difícil, na época, seguir o desenvolvimento do cinema.
O mocinho da trama, insatisfeito com a má repercussão de “O Cavaleiro Duelante”, se junta a Kathy Selden (Debbie Reynolds) e Cosmo Brown (Donald O’Connor) para tentar salvar o filme que seria lançado em seis semanas. Juntos, eles tiveram a grande ideia de transformá-lo em um musical que, mais tarde, seria um grande sucesso.
É importante ressaltar que, embora Singin’ in The Rain tenha retratado a transição mudo - falado de uma maneira bem leve, na vida real esse período foi muito difícil. Além de ter sofrido boicotes e preconceitos, vários profissionais do meio perderam seus empregos por não conseguirem acompanhar as novas mudanças.
Há de se destacar também as resistências. O ator, diretor e produtor, Charles Chaplin, foi um dos mais relutantes que, mesmo vendo toda uma mudança nos padrões de cinema aos quais era acostumado, continuou realizando suas produções de outrora. Como Luzes da Cidade, Tempos Modernos e O Grande Ditador.
Fiel a essa importante fase do cinema, Singin’ in The Rain cita “The Jazz Singer”, filme considerado o marco da transição do cinema mudo para o falado.
O musical de 52 tornou-se uma verdadeira obra-prima, consagrado pelas maravilhosas interpretações e pelas músicas que atravessaram o tempo, imortalizando-o como um dos melhores musicais que Hollywood já produziu.

sábado, 12 de setembro de 2009

"Foi poeta - sonhou - e amou na vida"

Sempre esperei por esse dia: a postagem sobre o maior representante da 2ª Geração Romântica no Brasil - Álvares de Azevedo.
Esse rapaz com o olhar misterioso e febril me arrebatou aos 15 anos de idade através de suas intensas poesias versadas com sofreguidão e paixão. Foi em uma aula de Literatura que eu conheci o poeta que iria me fazer suspirar ao lê-lo. E foi, digamos, amor à primeira vista.
"Lembrança de Morrer" foi a primeira de muitas poesias que iriam me atrair profundamente. O meu encanto crescia cada vez mais, como em uma paixão. Eu não era apaixonada somente pelas poesias, mas pelo poeta em si. Ele foi a única pessoa que me fez sentir, com palavras, o que eu nunca havia sentido antes. São sensações misturadas, choros e risos, a certeza e a dúvida. Tudo o que exatamente marcou o seu estilo poético. Álvares de Azevedo versou em todos os campos, o do amor; o da morte, o da ironia; o da paixão; o da sensibilidade e o pessoal.
Hoje, faz 178 anos de sua morte. Porém, ele continua vivo em suas obras que foram feitas em um espaço tão curto de tempo. Sim, acreditem, ele morreu aos 21 anos incompletos e, ainda assim, nos deixou um grande acervo.
Dotado de uma inteligência incomparável, falava várias línguas e lia sobre diversos autores, dentre eles, Lord Byron e Musset, que influenciaram de maneira positiva suas poesias.
Era um estudante de Direito exemplar e odiava a sua cidade, São Paulo.
Nunca encontrou alguém que pudesse amar. Isso era claro em suas poesias e em uma carta mandada ao amigo, Luís, que diz:

"Sinto no meu coração uma necessidade de amar, de dar a uma criatura este amor que me bate no peito.
Mas ainda não encontrei aqui uma mulher - uma só - por quem eu pudesse bater de amores."

E ele, como mesmo diz em "Hinos do profeta", vagou pela vida sem conforto, esperou sua amante noite e dia e o ideal não veio.

Há muitas controvérsias sobre a vida do autor que sofreu do "Mal do Século". Uns dizem que ele era extremante dedicado e estudioso, outros que ele era um fingidor e participava da vida boêmia. Mas uma coisa é incontestável: Manuel Antônio Álvares de Azevedo, Maneco, como era chamado pela família, foi um dos maiores poetas de sua época e contribuiu imensuravelmente para a construção da história da Literatura Brasileira.
Para quem não o conhece, vale a pena ler.
Gostaria de terminar esta postagem com alguns versos meus que mostram a minha total devoção a esse jovem:

Quis o destino que não nos encontrássemos ainda em vida. Hoje, mais de um século e meio depois, eu te encontrei através da morte.
O amor que você tanto quis dar, eu recebi; o amor o qual você tanto esperou... eu estou aqui.

- Bruna Vargas Duarte

sábado, 29 de agosto de 2009

Sonhos interrompidos

É muito comum ter um sonho interrompido, mas seria muito mais legal ser comum voltar a eles.
Quando isso não acontece, a ordem dos fatos se divide em:
1) tentar voltar ao sonho;
2) não conseguir;
3) ficar com raiva ou frustrado;
4) imaginar como seria o final;

Quem nunca tentou voltar ao sonho e, por não conseguir, ficou com raiva ou frustrado, mas depois acabou se conformando e tentou imaginar o final?
O melhor mesmo é colocar a criatividade em ação e pintar as gravuras restantes do sonho da cor e do modo que você preferir.
Agora vamos ao ponto principal deste texto. Vou lhes contar o meu super sonho interrompido.
Eu estava num salão enorme, o piso era de madeira clara e as janelas eram bem antigas e grandes. Não havia nenhuma cortina e os raios de sol iluminavam bem o salão. Esse, por sua vez, não tinha nada além de várias mesas longas cobertas de comida. Elas ficavam uma atrás da outra.
Não sei se vocês lembram da parte final do filme "Titanic" na qual o navio naufragado começa a se regenerar, mostrando um amplo corredor iluminado que levaria Rose a encontrar Jack no relógio. Pois muito bem, o salão do meu sonho é semelhante a ele.
Com um prato de plástico pequeno, daqueles de festa de aniversário, eu seguia as mesas e colocava os mais diversos salgados. O prato ficava cada vez mais cheio, de modo a fazer uma pequena montanha, se é que vocês me entendem. O mais interessante é que ele suportava toda aquela comida e nada caía. Quanto mais eu colocava, mais tinha espaço.
Já nas últimas mesas, onde estavam os doces, eu decidi colocar por cima da montanha de salgados o meu sabor preferido de sorvete: chiclete. Me servi de bolas fartas e logo comecei a apertar o compartimento de calda de chocolate. Eu me deliciava a medida em que a calda ia caindo lentamente sobre o sorvete. Era uma sensação que me trazia calma e prazer. Eu estava extasiada ao apreciar aquele pequeno momento de felicidade quando, abruptamente, minha mãe abre a porta do quarto e diz: "Bruna, tá na hora."
Era sábado e eu não tinha nenhum compromisso. Mas sabe como é mãe, nunca quer que a gente acorde tarde. E eu nem preciso dizer como meu humor ficou depois desse incrível fora.

Esse episódio aconteceu há anos atrás quando eu ainda morava em Porto Velho. E o sonho foi o melhor que eu já tive durante os meus 19 anos de vida.
É meio óbvio o final, mas não sei se depois eu me fartaria de todo aquele lanche. Com um prato daqueles, quem é que não o faria? Mas hoje, parando para pensar, eu acho que a graça do sonho estava realmente no desejo de experimentar, na sensação do prazer visual que me provocava, e não no ato de comer propriamente dito.
Não dizem que primeiro você come com os olhos? Então eu posso dizer que comi, e como comi.
Portanto, esse é o final pintado por mim: apenas com os olhos eu pude experimentar diversas sensações que seriam diferentes daquelas que eu teria apenas comendo.

E vocês, já tiveram sonhos legais que, infelizmente, foram interrompidos?
Contem as suas experiências.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dias frios

Quem me conhece sabe que eu repito mil vezes a mesma frase em tempos assim: "Eu ODEIO frio!" E é verdade, eu não suporto, ainda mais com chuva. É desanimador acordar cedo para ir à faculdade, colégio ou trabalho. Acordar cedo já é uma prática um tanto quanto suicida, imagine no frio.
E para estudar depois? Eu mesma fico lenta, olho para janela, vejo tudo cinza, tudo tão down que acaba me dando uma preguiça. A cama nessas horas é meio que sua inimiga, porque você olha para ela e ela te chama com aquele travesseiro fofo e edredom quentinho de modo que você não resiste e se rende ao sono. E, ao invés de estudar, você dorme. A não ser que você seja forte e não se deixe abater, ou não ligue para essa escrita porque, afinal, ela não condiz realmente com a sua reação ao frio ou seja como eu, persistente, que mesmo ameaçando bater a cabeça, na escrivaninha, de tanto sono, arranja forças para estudar. Se bem que com algumas matérias não existe tempo ruim e com alguns professores também. (sorriso malicioso)
Eu sou daquelas pessoas que mudam o humor no frio. Oscilou um pouquinho aqui, um pouquinho acolá, já era, eu oscilei total. Fico com cara de cinza, com cara de céu nublado. É claro que eu tento me adaptar, afinal, o ser humano é adaptável à natureza, mas é difícil.
Há quem adore o frio e suas "vantagens", digamos assim. Geralmente partem do pressuposto de que as pessoas se vestem mais elegantemente e que podem ficar debaixo das cobertas assistindo a filmes e comendo pipoca. Eu sinceramente não vejo graça nisso.
É como a chuva, muitas pessoas adoram dormir com o barulho dela. Já eu não ligo, com barulho ou sem barulho quero ela bem longe de mim. Pode chover à vontade, mas enquanto eu estiver dormindo, porque quando eu acordar quero um dia lindo e amarelo, todinho amarelo.
Tudo bem que tem dias que você precisa gritar, cantar, dançar e nada melhor do que uma chuva bem forte, ao estilo de "Singing In The Rain", para te acompanhar nesta empreitada. Aquela famosa cena do filme é maravilhosa e mostra uma outra perspectiva, aquela da qual você não está nem aí para o que está acontecendo a sua volta e por isso nada pode abalar a sua felicidade. Tanto que o personagem só nota depois que o guarda está observando-o.
Uma outra coisa interessante diz respeito aos guarda-chuvas. Eu nunca havia parado para pensar, porém uma vendedora me atentou para o fato de que a maioria das pessoas usa as mesmas cores de guarda-chuva, como preto, cinza e azul escuro. E que seria interessante se eu levasse o guarda-chuva cor-de-rosa choque que, por ser uma cor alegre, viva e aberta, contrastaria com esses dias fechados, frios e chatos.
E não é que ela estava certa? Senti firmeza e apostei no rosa. Acabei levando, por um colega, o título de dona do guarda-chuva mais irado da faculdade. É mole ou quer mais?
Hoje eu estou mais ao estilo de "Raindrops Keep Falling On My Head" e, seguindo a música, estou precisando ter uma conversinha com o Sol que, aliás, anda bem relapso por dormir no trabalho. Mas não adianta, por mais que eu o chame de preguiçoso e fique chateada, "I'm never gonna stop the rain by complaining".
Afora isso, aqui estou escrevendo de pijama e meias, sem ninguém para me servir uma taça de vinho ou me acompanhar no ritmo de uma música para acalentar meu coração em dias frios.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Redação ausente

Ultimamente ando sentindo dificuldade em escrever. Não sei o motivo, mas sempre tenho essa impressão. Eu penso em vários temas, eu tenho tempo para pensar, afinal, eu levo quase uma hora ou um pouco mais na ponte Rio-Niterói na volta para casa. Acho que penso tanto que acaba ficando um vazio.
Várias vezes tentei achar uma forma de não colocar o meu eu-lírico nos textos a fim de treinar para as redações jornalísticas. Porque a função é essa, passar a informação e nada mais. Mas é tão fácil referir-se a si mesmo e colocar experiências suas do cotidiano que eu, eu... não sei.
Tudo isso me remete ao filme "Marley e eu", cuja profissão do personagem principal é jornalista, mas devido aos rumos diferentes que a vida tomou, ele se tornou colunista. O mais engraçado disso é que antes ele se recusava a escrever uma coluna, alegando ser jornalista e não colunista. Anos depois ele falou: "Eu sou colunista e dos bons."
É nessas horaas que eu penso: "O que você quer ser, Dna. Bruna?"
Ando tão confusa que já não sei mais. O amanhã que eu não vejo anda me assombrando. É incrível e ao mesmo tempo angustiante não saber o que irá acontecer. Antes eu sabia exatamente todos os meus passos e era maravilhoso ver como tudo dava certo. É aquela história do poder da mente, eu arquitetei tudo, porém, até os meus 18 anos. Por que não continuei?
Deixar a vida me levar me traz uma sensação de desconforto. Mas ao mesmo tempo é reconfortante acreditar firmemente no seu potencial e saber que os caminhos da vida vão te levar para onde você realmente deve ir. É claro que você deve carregar consigo alguma coisa favorável a ele, só assim ele será o seu caminho, a sua longa estrada, aquela que por mais difícil ou fácil que seja, é realmente sua. E nela vale a pena qualquer pedra, buraco, ventania ou poeira, porque você está exatamente onde deveria estar.

É uma redação ausente porque eu sinceramente perdi a mão. As minhas letras não estão correndo mais, não como antigamente, não como deveriam fluir, não como eu realmente acho que deveria ser.

Redação ausente? Vai passar. Eu espero.

domingo, 9 de agosto de 2009

"Você foi a coisa mais linda que aconteceu na minha vida!"

Pai, ontem eu me emocionei ao ouvir esta frase que está no título. Você não percebeu, é claro, mas isso tocou meu coração. Você falou com tanta paixão que eu não me contive e deixei que as lagrímas caíssem.
Como é bom saber que existe alguém no mundo que "muito te ama, que tanto te ama, que muito, muito te ama, que tanto te ama". E não poderia ser diferente, você me deu e dá tanto amor que hoje eu sou assim, completa e repleta de sentimentos que transbordam. E como transbordam!
Sabe, eu poderia falar aqui tudo o que você me ensinou, contar os momentos mais especiais da nossa vida e assim vai. Mas não, hoje eu quero ser sucinta (para variar) e dizer que você é glorioso.
Glorioso por ter conseguido ser pai inteiro, amigo, companheiro para TODAS AS HORAS e grande confidente. Glorioso por ser honesto e ter colocado essa ação como base na minha educação. Glorioso por ser um homem digno e fazer tudo aquilo que lhe cai nas mãos com vontade e batalha. Glorioso por amar alguém tanto.
Ah, pai, eu me orgulho de você.
Você lembra do que eu havia acabado de dizer quando tiraram essa foto?
"Meu pai é o sol da minha vida."

Obrigada por continuar me guiando e trazendo alegria aos meus dias. E não importa que chova, o sol sempre retornará para que eu me lembre de todos os ensinamentos que você me deu e tem me dado. Dessa maneira, então, eu poderei continuar a caminhar na longa estrada.
Eu te amo muito, muito, muito, meu veeeelho e bom pai.
Parabéns por hoje e por todos os outros dias que seguirão.

sábado, 8 de agosto de 2009

Opa!

Olá!
É legal voltar a escrever aqui neste espacinho tão meu.
Não tenho "muita" coisa para dizer, mas as férias foram interessantes. Teve de tudo, do mal ao bem estar.
Lembro-me de algumas situações e frases engraçadas e irei citá-las. Todas elas aconteceram em Campo Grande/MS, exceto uma que foi no Paraguai. Ah, sim, minha viagem à Europa foi para os ares, mas isso é outra história.

Situação nº 1: Meu tio Jefferson , de 26 anos, (tioZÃO, né?!), eu e minha mãe estávamos sentados na mesa da cozinha conversando e surge o assunto do livro que ele está "lendo". É entre aspas porque ele comprou há um bom tempo e não saiu do primeiro capítulo.

Eu: "E qual é o nome do livro?"
Ele: "Voando como a águia".
Eu direcionando o olhar para os dois: "Hum, interessante, me remeteu a... é tipo Fernão Capelo Gaivota."
Ele sorrindo e preparando uma tirada: É tipo... (pausa com sorriso malandro) pulando como um sapo."
Nessa hora a gente não aguentou e caiu na gargalhada.

Situação nº 2: Eu, minha mãe e meus tios Jefferson e Júnior estávamos tomando picolé numa bela tarde de domingo, no estabelecimento "Delícias do Cerrado", quando minha mãe lembrou que riu muito com minha tia Miriam ao ver um lugar igualzinho, porém com o nome diferente. Ela não conseguia lembrar e meu tio, Jefferson, imitando sua expressão de buscar algo na memória, preparou outra tirada: "É Gostosuras do Campo".
Nem preciso dizer o que aconteceu após isso.

Situação nº 3: Eu, meu tio Jefferson e minha mãe estávamos no Paraguai tentando lembrar, simplesmente do nada, um ditado. No final das contas tio Jefferson disse: "Reza o padre, esquece o Pai Nosso. Nossa, nada a ver, né?!"
Minha mãe rindo: "Nada a ver mesmo."
E eu? Bom, eu cada vez mais impressionada com as tiradas dele. Dessa vez sem sucesso, mas com seu tom de graça.

Situação nº 4: Minha mãe estava dirigindo na ida para o Paraguai "sozinha". Entre aspas porque eu e meu tio estávamos dormindo. Não somos nada bobos, né?! Pois muito bem, quando nós acordamos ela contou: "Gente, mas eu ri muito com uma placa enorme que dizia "NÃO NOS RESPONSABILIZAMOS POR QUALQUER ACIDENTE QUE VENHA OCORRER COM VOCÊ NESTA RODOVIA." Poxa vida, eu devia ter tirado uma foto."
Juro que se eu estivesse acordada tiraria. Agora vê se pode, ninguém merece! Realmente essa placa era digna de uma foto.

Situação nº 5: A família toda depois de cantar meus parabéns em casa, exatamente como eu queria, decidiu ir a uma pizzaria. Minha tia está de muletas devido a uma cirurgia no pé direito, e nós tivemos que andar um pouquinho, então minha mãe perguntou: "Dá pra ir direitinho, Miriam?"
Ela respondeu: "Gente, eu vou tentar ir sem dar."
Eu não me aguentei.
Aliás, esse dia foi muito mágico. Tive até duas surpresas!

É claro que há muitas outras situações e boas histórias para contar. Afinal, eu sou uma colecionadora delas e, claro, como uma pessoa que adora mistérios, muitas ficam guardadas comigo. Ah, e também não dá para colocar tudo aqui. Mas mal posso esperar para encontrar meus amigos e contar minhas aventuras.
Enfim, foi ótimo passar mais uma temporada com a família.
E agora realmente tenho que ir, pois são 5h da manhã e quero ver como irei acordar daqui a pouco. Tenho tanta coisa para fazer. Cheguei de viagem sexta e fiquei sabendo um pouco antes que as aulas da faculdade foram adiadas. Toda história tem seu lado positivo, então terei tempo para organizar tudo. Já o lado negativo... lá se vai Dezembro quase que inteiro. Não me importo, toda experiência é válida.

Hum, ainda a pouco fui à cozinha e vi a lua. Como está linda! Ainda em Campo Grande a vi enorme e amarelada e me fiz a mesma pergunta de sempre: "Será que tem alguém neste exato momento olhando para ela e pensando a mesma coisa que eu?"
Queria terminar esta postagem com uma frase muito bonita que realmente me chamou atenção. Ouvi na novela "Senhora do Destino" que, por sinal, adoro.

"Sob a luz do amor, não há mal que não tenha fim."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

E nesse primeiro semestre...

Eu aprendi muita coisa. Primeiramente que o brilho do meu olhar foi traidor e que, nesse caso, não devo esquecer mais dos óculos escuros. Sempre me falaram que eles eram essenciais para mim.
Agora indo para o que interessa, é clichê, mas realmente parece que foi ontem que eu cheguei na FACHA e fiquei logo fula da vida com o trote. Odiei!
Pensando no lado positivo, adorei as aulas, todas mesmo. Até a de Teoria da Comunicação I que eu tanto reclamei durante todos esses meses. E os professores então? Maravilhosos.
Os amigos? Sim, gosto muito. Principalmente dos que andam comigo. A turma? Turma XOTA (risadas), como costumamos dizer, é muito boa!
Então vamos lá, não irei falar do conteúdo, é óbvio, mas de um apanhado geral.

Com Sociologia, ministrada pelo professor Gabriel Gutierrez, eu aprendi que o conhecimento é afrodisíaco e que chocolate dá onda. Falando sério agora, ele coloca pressão. Você deve saber e muito e deve saber AGORA! Cada aula é de suma importância, primeiro porque é puro conhecimento, segundo porque como ele mesmo diz: "Eu sei que o Gabriel manda muito!" e terceiro porque eu gosto. Tive prazer em fazer os trabalhos e de estudar para as INCRÍVEIS provas. Incríveis no sentido de incrível mesmo, inacreditável. Não vou me esquecer dos três dias (sexta, sábado e domingo) em que passei estudando sem parar, das 15h às 22h. Sem brincadeira, no primeiro dia quando olhei para o relógio pensei: "Uau, tá virando nerd." No segundo pensei: "É, agora você realmente tá maluca." E no terceiro eu nem liguei, estava revisando apenas.
Eu adoro manter minha mente ocupada com assuntos que realmente são interessantes. E 7h estudando para ser quem eu quero ser um dia, é pouco.
Na verdade, isso é estratégia. Quanto mais me mantenho ocupada menos penso em besteira. Sabe, não desvio minha linda imaginação para lugares inabitáveis, se é que dá para me entender.
Quanto aos trabalhos, no último eu recebi um "Bom texto" dele. Fiquei tão feliz, mas tão feliz que até comentei com meus amigos: "Caramba, receber um "bom texto" dele é muita coisa. E se é "bom texto" agora, imagine depois."
Adorei ter contato com Marx, Durkheim, Weber e Tocqueville. Acho que eles gostaram também, afinal, eu estudei todos com muito esmero.
Lembro da questão do Tocqueville na última prova, lembro que falei: "Essa questão é FODA!" Foda porque era muito boa e também porque era enoooorme! Valeu a pena arrebentar a mão.
Obrigada por todos os conselhos, pelas risadas, pelas discussões saudáveis, pelas falas inesquecíveis, como: "É, pensar dói.", "Olha o que o camarada me diz 7h da manhã quando eu perguntei onde ele estava na década de 70: Eu era um pensamento ruim do meu pai em relação a minha mãe.", "Eu tô tranquilo, você tá tranquil(o)a?", "Meu Deus! Eu e eu, eu comigo. Cadê o espelho?", "Alguém tem chocolate?"
Foi tudo realmente especialíssimo, mais especial ainda quando ele ficou sem graça na sala de aula. Ah, ficou tão lindo vermelhinho e escancarando aquele sorriso de iluminar a manhã de qualquer garota.
Sim, você é muito inteligente, sabe falar, é ótimo professor, é lindo e quando está com os óculos fica mais charmoso ainda. Enfim, não poderia ter tido surpresa melhor ao entrar na faculdade. Vou sentir saudades de não tê-lo como professor no 2º período. E não quero nem saber, no 3º a gente se encontra!

Com Linguística, ministrada pelo professor André Valente, eu aprendi a saber a origem das coisas, aprendi como uma turma é provocada e aprendi como o professor dá o seu sangue pelos alunos. (risadas)
A aula dele é muito boa, repleta de exemplos de todo o tipo (musicais, jornalísticos, publicitários), além de ser extremamente dinâmica. É um conteúdo que todos devem ter contato. Vale muito a pena.
Obrigada. Vou sentir saudades dele me chamando: "Minha cara Bruna..." E sabe-se lá qual pergunta viria depois.

Com Filosofia, ministrada pelo professor Fábio Cândido, eu aprendi como é necessário parar para ouvir e tentar compreender o que os filósofos pensam. Lembro que no início não gostava da aula dele, mas foi só ficar quieta e prestar atenção para chegar a conclusão de que a aula é muito boa. Passamos por diversas etapas, todas elas deliciosas de serem estudadas.
Os trabalhos passados em sala foram muitíssimos importantes porque era a partir dali que a gente colocava em prática o que havia aprendido. E no último ainda ouvi: "Muito bom, Bruna, seus trabalhos são de ótima qualidade."
Sentirei saudade da calma e da delicadeza para ensinar a matéria.
A Teoria das Ideias deu trabalho, não foi?

Com Língua Portuguesa I, ministrada pela professora Angela Areas, eu aprendi que NUNCA se deve começar uma frase preposicionada e, no entanto, eu estou organizando os pequenos fragmentos deste texto com a preposição "com" (risadas). Desculpe, mas leve em consideração que não é um texto formal. É uma escrita mais discontraída e por isso tenho colher de chá. Creio eu.
Eu adoro português e não tive dificuldades em aprender. Porém, errei em besteiras, muitas besteiras nas provas. E foi ótimo porque é errando que se aprende.
Afora isso, ela é ótima professora. Fato consumado.
E não me esquecerei dos apelidos (risadas), dos insultos e, principalmente, da caricatura. Ah, se você visse... (gargalhadas)
Obrigada.

Com Formação da Cultura Brasileira, ministrada pelo professor Luís Fernando, eu aprendi o que um estudante de Comunicação deve fazer para ser um jornalista. Fiquei surpresa e empolgada com o primeiro trabalho, mas logo depois veio a decepção. Os "detalhes" estão no texto "Ser jornalista, a primeira parte" para quem quiser entender melhor sobre o que estou falando.
Bom, de qualquer forma, obrigada.

Com Teoria da Comunicação I, ministrada pelo professor Marcus Vinicius, eu aprendi bastante coisa até, mas aprendi nos 44 do segundo tempo quando peguei, enfim, o livro "Estrutura Ausente" para estudar para a última prova. Engraçado, só tomei vergonha na cara porque precisava de nota, caso contrário nem teria lido. Mas sabe, não adianta, continuo achando a matéria a maior viagem, não mais que o professor, é claro. Não sei se talvez é ele quem avacalha ou eu que não tenho paciência com viagens quando se trata de conteúdo. Comigo é 8 ou 80 e preto no branco!
Mas o conceito, o básico, eu sei. Sinto-me bem se alguém vier me perguntar o que é Dialética Negativa ou como se dá o processo de Comunicação, esse que por sua vez envolve toda a matéria, porque saberei responder com exatidão.

Enfim, esta é a última postagem.
O 1º período foi SENSACIONAL. Dedico ele ao enriquecimento do meu conhecimento e aos meus amigos aos quais prezo tanto a companhia.
Laís, Roberta, Diego e Arthur, a vida acadêmica sem vocês seria chata, podem ter certeza.
E aos outros colegas também, vocês fazem parte de mais uma etapa da minha vida.
Espero que ela continue assim, deliciosa, conturbada, calma e paradoxal.
Enfim, avante a estrada da felicidade porque muita água vai rolar!


Até a volta.
Eu não demorarei.

domingo, 28 de junho de 2009

Enfim sol

Nem acreditei quando saí de casa (milagre nesses últimos dias) e vi o céu azul e iluminado.
Pensei comigo mesma e com entusiasmo: "fez sol, fez sol!"
Assim que cheguei em casa tratei de abrir as persianas e a janela. Elas me impediram de ver o lindo dia que está lá fora. E essa minha aversão a claridade desaparece quando faz sol. Contraditório, não é?! Eu simplesmente adoro o sol, o calor. Mas em casa não quero uma luz sequer tentando passar por algum orifício das cortinas.
Tempos atrás eu sempre cantava: "abre essa janela, primavera quer entrar..."
Mas o que importa mesmo é que esse tempo me anima. Tanto que cheguei saltitante e vim logo escrever aqui. É, bem se vê que a postagem "Mas só chove e chove..." não tem mais validade. Já era!
Cá estou mais uma vez. Eu sempre volto. Aliás, ela saiu da validade no mesmo dia em que a escrevi, porque logo em seguida publiquei outra postagem.
Então, entrei no quarto e peguei o meu super hiper mega livro de Literatura e coloquei em Arcadismo, o Século das Luzes a fim de procurar um poema sobre sol para pôr aqui. Mas lembrei-me logo de um que tem a ver com infância e decidi colocá-lo. Antes disso, folheei um pouco e lembrei-me de outra ao vê-la escrita. Assim que comecei a ler não acreditei e exclamei: "Como eu pude me esquecer desta poesia?" Mas eu não esqueci de esquecer, entende? Terminei de ler e logo a recitei como nos velhos tempos. Ah, hoje fez sol e "tomara que não chova seis meses sem parar!"
Seguem então as duas poesias:

Infância

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora".

(Guilherme de Almeida)

Soneto 12

Busque Amor novas artes, novo engenho,
Pera matar-me e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

(Luís Vaz de Camões)



Escrevi de cor.
Não esqueci. Nunca!

"Meu corpo viraria sol, minha mente viraria sol..."

sábado, 27 de junho de 2009

Já recebeu aquele pequeno gesto?

(barulho de chave tentando abrir a porta com dificuldade)

- Deixa que eu abro! Disse eu, correndo.
Meu pai abre a porta ao mesmo tempo em que eu a abro também. Ao vê-lo, vejo uma rosa em sua mão.
- Ah, pai...! Digo comovida.
- Eu sei que você gosta.
- Eu adoro, pai. Adoro!
- O cara achou engraçado quando disse "não, eu vou levar pra minha filha." após ter perguntado se iria levar pra namorada. Porque eu pedi a rosa mais bonita.
Eu rio com satisfação e acrescento:
- Ah, é?!
- Claro, eu disse, "minha filha é mais que namorada."
Eu rio de novo balançando a cabeça.
- Eu te amo, filha. Quero ver você feliz!
- Eu também te amo, pai. E abraço-o por trás carinhosamente.

É a 3ª vez que ele faz isso em três anos!
Sempre tem essas surpresas quando ele vem me visitar.
Só por hoje vou dormir mais serena, só por hoje.

"Mas só chove e chove, chove e chove..."

Fiquei procurando algo que refletisse meu estado de espírito.
Eram tantas músicas, tantos poemas, eram tantas escritas malucas, tantos pensamentos confusos que nem conseguir escrever direito eu estava conseguindo. Aos trancos e barrancos faço alguma coisa ainda e, portanto, esta é minha penúltima postagem nessas condições. A última ficará ótima, juro para mim mesma. Vou sair de cena por uns tempos e voltar com toda vontade do mundo.
Vou colocar as ideias no lugar, vou enfiar e costurar a frase "ele fez a escolha dele" na mente e mais uma vez dar "tchau". Seguir e blábláblá...

Metade
(Adriana Calcanhotto)

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim

Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será
Que você está agora?

E para colocar um tom ainda mais dramático, segue Até Quem Sabe de João Donato e Lysias Enio, na voz de Nara Leão:

Até um dia
Até talvez
Até quem sabe
Até você sem fantasia
Sem mais saudade

Agora a gente tão de repente
Nem mais se entende
Nem mais pretende
Seguir fingindo
Seguir seguindo

Agora vou
Pra onde for
Sem mais você
Sem me querer
Sem mesmo ser
Sem me entender

Vou me esquecer
Vou me beber
Vou me perder pela cidade

Até um dia
Até talvez
Até quem sabe

É mais ou menos isso.
Eu iria misturar com a última postagem, mas achei melhor não. A última é fantástica demais para colocar algo tão... tão triste. Tão que me deixa com raiva e me faz sentir calafrios AINDA!
Acho que consegui manifestar o interior do espírito conturbado que teima em se manifestar todos os dias. Era essa a intenção. Eu não sei se eu vou virar a página e desconfundir tudo, mas que o tempo vai anestesiar, entorpecer, ah, isso ele vai. Ainda mais com a minha ajuda. Nessas horas ele é meu melhor amigo.
Então, como sempre digo: o que tiver de ser, será!